Custear uma peça usinada quando a oficina ainda não tem dados
Não é preciso ERP nem um mês de estudo para chegar a um custo defensável. Escolha uma peça, meça três números durante uma semana e tire o resto de registros que a oficina já mantém.
Quase toda oficina que nunca custeou uma peça direito supõe que a barreira é um sistema. Não é. A barreira é que custear *tudo* é um trabalho grande, então nunca começa.
Então não custeie tudo. Custeie **uma peça**, bem. Um único custeio exato vale mais que uma planilha cheia de estimativas, porque você consegue defendê-lo e porque ele vira a linha de base contra a qual cada melhoria é medida.
Passo 1 — Escolha a peça certa
Não a peça mais interessante. A que atende às três condições:
- Você a produz com regularidade, então dá para observar em vez de lembrar.
- Ela passa por várias operações, então o exercício te ensina o roteiro.
- Alguém já desconfia que está mal orçada. Isso dá ao trabalho um motivo para terminar.
Passo 2 — Meça três números durante uma semana
Só três números exigem ir até lá olhar. Todo o resto já existe no papel em algum lugar.
| Número | Como obter | Por que este |
|---|---|---|
| Tempo de ciclo por peça | Cronometre várias peças seguidas e tire a média, em condições normais — não numa demonstração | Manda no custo de máquina e é o número que as pessoas mais lembram errado |
| Tempo de setup | Cronometre uma troca, da última peça boa à próxima peça boa | Costuma ser maior do que qualquer um espera, e é o que encarece lotes pequenos |
| Peças por troca de ferramenta | Peça ao operador para anotar o contador entre duas trocas | Transforma o ferramental de chute em custo medido |
Passo 3 — Tire o resto de registros que você já tem
Nada do que vem abaixo exige medição nova:
- Preço do material e bitola da barra — ordens de compra.
- Taxa de mão de obra — folha de pagamento, com os encargos que seu contador já aplica.
- Terceirização — notas do fornecedor daquela peça.
- Taxa de refugo — registros de inspeção, ou a diferença entre peças iniciadas e peças expedidas.
- Custos indiretos — custos totais da oficina num período divididos pelas horas-máquina do mesmo período.
O último é o único cálculo, e é grosseiro de propósito. Uma taxa grosseira aplicada com consistência é muito mais útil que uma precisa que você não consegue reproduzir no trimestre seguinte.
Passo 4 — Lance e leia os avisos
Lance a peça e deixe o sistema conferir. Os avisos não são enfeite: comparam suas cifras entre si e marcam combinações que costumam ser erro de digitação e não peça incomum.
E deixe **vazios, não zerados**, os campos que você realmente não conhece. Vazio e zero significam coisas diferentes: vazio diz ainda não estabelecido, zero diz medido e não há. Um campo vazio tratado como zero produz um custo errado com aparência exatamente igual à de um certo.
O que você tem agora
Uma linha de base. Cada melhoria daqui em diante — ciclo mais curto, ferramenta que dura mais, fornecedor mais barato — é medida como mudança contra uma cifra que você consegue defender, em vez de uma opinião sobre se as coisas parecem melhores.
E a segunda peça é muito mais rápida que a primeira, porque a taxa da oficina, a base de indiretos e a taxa de mão de obra já ficaram estabelecidas. O trabalho que você acabou de fazer, na maior parte, não era sobre esta peça.
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