Custo de peças aeroespaciais: como usinagem, mais o custo da documentação
Desdobramento de uma peça aeroespacial: a rota de cálculo é a da usinagem, mas o material é caro, então quem decide é a relação de desbaste, e a documentação de certificação é um custo real que precisa ser lançado.
A cadeia de operações é a da **usinagem**: material, setup, passes de ferramenta, medições. Leia antes o texto de usinagem; todo o modo de calcular horas-máquina e vida de ferramenta vale sem mudanças.
Duas coisas são diferentes e as duas fazem o custo ser muito maior que o de uma peça do mesmo formato em outro ramo.
A relação de desbaste é a cifra que decide
As peças aeroespaciais costumam sair de um bloco maciço, então a maior parte da massa do material vira cavaco. Em outros ramos isso não é problema porque o material é barato; aqui ele é muito caro, então **o dinheiro que vai embora em cavaco pode ser maior que toda a mão de obra de usinagem**.
Como medir: peso do material requisitado do almoxarifado dividido pelo peso da peça pronta. Lance pelo peso do **material**, não da peça — é o erro mais comum e subestima o custo com folga.
Documentação e certificação são custos reais
Uma peça só é utilizável com a documentação que a acompanha. Essa documentação custa dinheiro de verdade e não está em nenhuma linha se você não a lançar de propósito:
- Mão de obra de elaborar e guardar a documentação do lote — lance em mão de obra, com a causa declarada.
- Ensaios não destrutivos conforme os requisitos — em terceirização se subcontratados, ou em horas-máquina se próprios.
- Custo de manter a certificação e as auditorias periódicas — em custos indiretos.
- Peças rejeitadas por falta de rastreabilidade, e não por dimensão — continuam sendo defeituosas, mas com a causa registrada.
O último ponto merece atenção: é um tipo de defeito que nenhuma melhoria de usinagem vai alcançar. Separar as causas é a condição para saber se você está tratando a doença certa.
As dez categorias — tiradas de usinagem, três mudanças
| Categoria | O que muda |
|---|---|
| Material | Lançado pelo peso do material requisitado do almoxarifado; a relação de desbaste é uma cifra que precisa ficar escrita |
| Mão de obra | Entra uma linha de mão de obra de documentação e rastreabilidade, separada da de produção |
| Custos indiretos | Entra o custo de manter a certificação e as auditorias periódicas |
As outras sete categorias se aplicam como no texto de usinagem, inclusive o modo de calcular o custo de ferramental — que neste ramo pesa muito, porque materiais difíceis de usinar gastam as arestas mais rápido.
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