Perda de acerto: custo de material que não escala com a quantidade
As folhas destruídas para levar a máquina à cor são um custo fixo vestido de custo variável. Onde colocá-las na planilha, e por que essa colocação decide se as tiragens curtas estão bem precificadas.
Colocar uma máquina para imprimir direito consome papel — registro, cor, verniz, tudo se assentando. Essas folhas são compradas, impressas e jogadas fora, e quantas são depende da máquina e do trabalho, **não de quantos exemplares bons você precisa depois**.
Isso faz da perda de acerto um custo fixo com aparência exatamente de variável, porque é medido em folhas. É o erro estrutural mais comum do custeio gráfico, e sempre aponta para o mesmo lado.
Por que a colocação muda a resposta
Suponha que um trabalho precisa de certo número de folhas para chegar à cor. Numa tiragem longa essa perda se dilui e quase não aparece. Numa tiragem curta de algumas centenas de exemplares ela pode ser uma parcela grande de todo o papel que o trabalho consome.
Se você custeia o papel como uma cifra simples por exemplar, assumiu em silêncio que a perda escala com a quantidade. Não escala — então as **tiragens curtas ficam subcusteadas e as longas sobrecusteadas**, pelo mesmo erro, em direções opostas.
Onde vai na planilha
Folhas totais consumidas pelo trabalho — exemplares bons mais perda de acerto — divididas pelos exemplares bons entregues. Essa única divisão coloca a parte fixa onde ela pertence e mantém a aritmética honesta em qualquer tiragem.
Não coloque a perda de acerto no refugo. O refugo serve para responder «o processo está perdendo peças que não deveria?», e para o acerto a resposta é não: ele é esperado, inevitável e planejado. Misturado no refugo, faz uma gráfica saudável parecer defeituosa e enterra o único número sobre o qual você agiria.
Medir sem equipamento novo
Contador da máquina no início da produção boa menos contador no início do trabalho. Registre por trabalho durante algumas semanas. As duas cifras já existem; o que ninguém costuma fazer é anotá-las juntas.
Espere que varie por tipo de trabalho, e guarde a variação em vez de tirar média. Um tipo de trabalho com acerto incomumente alto é um achado: normalmente significa que algo daquela preparação está sendo redescoberto toda vez.
Onde realmente melhora
- Agrupar trabalhos parecidos para que um acerto sirva a vários — normalmente o maior ganho disponível, e é programação, não investimento.
- Padronizar as preparações e deixá-las registradas, para o mesmo trabalho não ser resolvido do zero a cada corrida.
- Usar papel mais barato nas primeiras folhas onde o processo permitir.
- Questionar a própria tiragem: se as reimpressões são frequentes, uma corrida longa pode custar menos no total que três curtas, mesmo contando o estoque a mais.
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