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Seis campos que quase ninguém preenche, e para que lado cada um entorta o custo

Rendimento de material, tolerâncias de pessoa e de máquina, energia, peças por embalagem e custo fixo por lote: seis dados que costumam ficar vazios, e por que cinco dos seis fazem o custo parecer mais barato do que é.

Atualizado

Estes seis dados têm uma propriedade em comum: se você os deixa vazios a planilha mesmo assim produz um número perfeitamente plausível, sem aviso nenhum. Cada um entorta o resultado para um lado — e cinco dos seis entortam de modo que o produto pareça MAIS BARATO do que é, que é a direção perigosa, porque ninguém audita um número confortável.

CampoVazio o sistema assumeO custo sai
Rendimento de materialrendimento 100%, nada se perdebarato demais
Tolerância de pessoaos operadores trabalham sem pararbarato demais
Tolerância de máquinaa máquina nunca parabarato demais
Energiao processo não consome energiabarato demais
Peças por embalagemuma caixa contém uma peçacaro demais
Custo fixo por lotenão existe cobrança por lotebarato demais
Peças por embalagem é o único campo que entorta para o outro lado, e entorta forte. Uma caixa que custa 12.000 e leva vinte peças carrega 600 por peça — deixe o campo vazio e cada peça carrega os 12.000 inteiros.

1. Rendimento de material

Nem todo material comprado vira produto. O que se perde em cavaco, em ponta de bobina, em aparas, em material rejeitado — você já pagou.

O sistema divide o consumo pelo rendimento, então quanto menor o rendimento maior o custo real de material. Vazio significa 100%, o que é afirmar que nunca se perde nada.

De onde vem o número: material efetivamente requisitado para um lote, dividido pelo material contido nas peças efetivamente entregues. Essa cifra concilia com as requisições de almoxarifado — uma estimativa não.

Não é a mesma coisa que valor de recuperação

Duas coisas distintas que se confundem. Rendimento descreve quanto material SE PERDE; valor de recuperação descreve quanto dessa perda é VENDIDO ou REUSADO. Uma peça pode perder quinze por cento e recuperar quase tudo.

2. Tolerância de pessoa

Tempo de cronômetro é tempo puro de trabalho. Pessoas reais precisam de pausas, precisam sair do posto e esbarram em interrupções que não dá para projetar para fora — e cada um desses minutos continua sendo pago.

O sistema multiplica o tempo normal por um mais essa tolerância. Vazio afirma que os operadores trabalham direto o turno inteiro, o que não acontece em lugar nenhum.

Esta tolerância NÃO se aplica quando você custeia a mão de obra por minutos padrão. O minuto padrão já traz tolerância por definição; somar de novo é contar duas vezes. Por esse caminho o sistema a ignora automaticamente.

3. Tolerância de máquina

A mesma ideia para o equipamento: máquinas param para troca de ferramenta, limpeza, ajuste, espera. Esta tolerância coloca o tempo de máquina ocupado no nível do que acontece de verdade.

Ela mexe em três cifras de uma vez — depreciação, custos indiretos recuperados por hora-máquina e energia — porque as três escalam com o tempo real de funcionamento.

De onde vem o número: compare as horas-máquina disponíveis num turno com as horas-máquina que de fato produziram, pelo diário de bordo da máquina ou pelo livro de passagem de turno.

4. Energia

Dois dados: potência instalada e preço por unidade. O sistema multiplica pelo tempo de funcionamento para obter a energia que aquele volume carrega.

De onde vêm os números: potência da placa da máquina, preço da fatura — e use a tarifa que de fato é cobrada de você, não a faixa mais barata da tabela publicada.

Se a energia já está dentro do seu rateio de custos indiretos, NÃO a lance também aqui. Em dois lugares ao mesmo tempo é contagem dupla. Escolha um e registre qual escolheu na seção de verificação.

5. Peças por embalagem

Esta é a maior distorção das seis e corre ao contrário das outras. Você lança o preço de uma embalagem; se não disser quantas peças ela leva, o sistema assume uma.

O mesmo mecanismo cobre tudo que se compra por conjunto: sacos, bandejas, paletes, bobinas de filme. Lance o preço da unidade inteira e quantos produtos ela leva, e deixe o sistema dividir.

Embalagem retornável — bandejas plásticas, paletes de madeira — precisa de mais uma divisão, pelo número de viagens que sobrevive. Mesma lógica de amortizar uma ferramenta de corte pela vida dela.

6. Custo fixo por lote

Muitos custos são cobrados por ocorrência e não por peça. Um terceiro aplica cobrança mínima por lote; um caminhão custa o mesmo cheio ou pela metade; um setup leva o mesmo tempo independentemente do tamanho do lote.

Lance duas cifras: o custo por lote e as peças por lote. O sistema divide até a peça e — mais importante — arredonda o número de ocorrências PARA CIMA, porque não existe dois quintos de um setup nem meio caminhão.

As duas cifras são obrigatórias. Com só uma o sistema não calcula, e ele se recusa de propósito a adivinhar a outra: inventar um tamanho de lote produziria um número com aparência exatamente tão confiável quanto um real.

Por que estes seis ficam vazios

Não porque sejam difíceis. Porque deixá-los vazios não produz falha visível: a planilha soma do mesmo jeito, um resultado aparece, nenhum aviso acende. Quem digita não tem como perceber que falta algo.

E como cinco dos seis fazem o custo parecer MAIS BARATO, eles nunca saltam aos olhos como salta uma cifra estranha. Um número que sai baixo não desperta suspeita — deixa as pessoas satisfeitas.

A correção confiável: percorra os seis uma vez, com a sua primeira peça, e registre os valores próprios da sua fábrica. A maioria não muda de peça para peça, então uma passada só cobre você por muito tempo.

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