Custear a etapa de montagem e teste de semicondutores
Desdobramento da etapa de back-end: fixar o chip, ligação de fios, encapsulamento, teste. O que a distingue: o chip que entra é caríssimo, então falhar no fim da linha custa mais que em qualquer outro ramo.
Este texto é para a etapa de **montagem e teste** — receber o chip já pronto, fixá-lo no suporte, ligar os fios, encapsular e testar. É essa a parte que o Costdown consegue modelar: as máquinas do banco de dados dele são inseridoras, fornos de solda, equipamentos de ligação de fios, inspeção óptica e testadores elétricos.
Se você fabrica lâminas, este texto serve pela metade — o custo por lote de lâminas e o número de peças boas por lâmina ainda não têm campos próprios. Dizer isso de frente é melhor que deixar você forçar cifras em campos errados.
O que torna este ramo diferente de todos
Em quase todo ramo, uma peça que falha no fim custa mais que uma que falha no começo — mas a diferença é moderada. Aqui a diferença é enorme, porque **o mais caro já está dentro do produto desde o primeiro passo**.
Consequência para a planilha: a linha de peças defeituosas já não pode ser medida por percentual. Uma taxa de falha que parece pequena no fim pode ainda assim ser a maior quantia da planilha.
As dez categorias, na ordem de produção
1. Material
Dois grupos com parcelas bem diferentes:
- O chip que entra — normalmente a maior parte do custo. Tome pelos chips REQUISITADOS DO ALMOXARIFADO para este lote, não pelos produtos que você conseguiu embarcar. A diferença entre as duas cifras é a falha, e ela precisa aparecer.
- Materiais de encapsulamento — suporte, fio, adesivo, composto de encapsulamento, moldura. Conte num produto-amostra e multiplique.
2. Máquina
Inseridoras, equipamentos de ligação de fios, fornos, inspeção óptica, testadores elétricos — cada um com a própria taxa horária, e a diferença é grande.
Como converter para por produto: igual ao texto de montagem de PCB, meça pelo **número de pontos de trabalho** e não por um tempo médio por produto. Um produto com muitas ligações ocupa a máquina mais tempo, e é exatamente isso que precisa aparecer no custo dele.
3. Mão de obra
Na maior parte, operar e vigiar máquinas, mais tratar os produtos que a inspeção óptica reporta como suspeitos. O segundo bloco é descartado com frequência porque é irregular — mas é proporcional à taxa de reporte, então é uma quantidade mensurável.
4. Ferramental
Bicos de vácuo, capilares de ligação, dispositivos de fixação, mídia de polimento. Divididos pelos produtos entre duas trocas — o mesmo método com que se calcula a vida da ferramenta no texto de usinagem.
Um dispositivo de teste específico de um único código é um custo de **uma vez só**, não ferramental. Veja o texto de custos não recorrentes em construção de máquinas.
5. Peças defeituosas — a linha mais importante
Lance por etapa, e para cada etapa nomeie **o valor que já estava dentro do produto quando ele falhou**:
| Onde falhou | O que se perde | Nota ao lançar |
|---|---|---|
| Antes de fixar o chip | Só material de encapsulamento | O mais barato; recebe atenção demais porque é fácil de contar |
| Depois de fixar o chip | O chip junto com o material | Bem mais caro — é aqui que está o dinheiro de verdade |
| Depois de terminado o teste | Tudo, mais a mão de obra e as horas-máquina já gastas | O mais caro, e por ser raro costuma sumir da planilha |
6. Retrabalho
Dá para salvar ou não conforme a etapa em que falhou. Se a sua fábrica retrabalha, lance mesmo que a taxa seja pequena; se de fato nada é recuperável, lance **0**, não deixe vazio — são dois estados diferentes.
7. Terceirização
Testes aprofundados, testes em condições extremas, ou análise quando há falha. Lance o preço do fornecedor externo por lote, dividido pelos produtos do lote.
8. Embalagem
Bandejas, fita, carretel, saco antiestático, dessecante. Neste ramo a embalagem não é só proteção de transporte, é condição para o produto continuar utilizável — então não é uma linha para cortar como se fosse coisa pequena.
9. Frete
Produto leve e de alto valor, então o custo é calculado por valor e condições de armazenagem, não por peso. É um dos poucos ramos em que o seguro da carga merece linha própria.
10. Custos indiretos de fábrica
A área de produção precisa manter certas condições ambientais, e esse custo corre com o **tempo** e não com o número de produtos — como em dispositivos médicos. Divida o custo de manter as condições de um período pela produção daquele mesmo período, e escreva de que período se trata.
Três erros frequentes
- Lançar o número de chips pelos produtos embarcados em vez dos requisitados do almoxarifado — com isso todo o custo da falha desaparece.
- Lançar as peças defeituosas numa única linha total — perde-se a informação mais importante do ramo, que é em que etapa falhou.
- Deixar o campo de retrabalho vazio porque «não há nada recuperável» — quando o 0 é justamente a resposta certa.
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