Custo de usinagem CNC: as dez categorias, na ordem do processo
Como custear direito uma peça usinada — material, horas-máquina, mão de obra, ferramental, refugo, retrabalho, terceirização, embalagem, frete e custos indiretos — e por que dois engenheiros custeando a mesma peça chegam a dois números.
Dê o mesmo desenho para dois orçamentistas da mesma oficina e saem dois custos diferentes. Nenhum errou a aritmética: eles incluíram coisas diferentes — e nenhuma das duas planilhas diz o que ficou de fora.
Esse é o problema que este guia resolve. Não a aritmética, que é fácil, mas **combinar o que entra no número** para que dois custeios sequer possam ser comparados.
Por que duas pessoas custeiam a mesma peça de forma diferente
Na prática a diferença vem quase sempre dos mesmos lugares:
- Um contou o material que entrou na máquina; o outro contou o peso da peça pronta. A diferença é cavaco, e cavaco foi pago.
- Um incluiu o setup; o outro rateou sobre um tamanho de lote que não deixou escrito.
- Um incluiu o ferramental; o outro tratou como material de consumo da oficina.
- Um incluiu o refugo; o outro custeou as peças que foram expedidas.
Siga o roteiro de fabricação, não a memória
O jeito confiável de não deixar nada de fora é caminhar a peça pela oficina em ordem e perguntar em cada passo o que ela consumiu. O roteiro já existe na ordem de produção — você não precisa inventar a sequência.
Trabalhar de memória é o que produz as lacunas acima: rebarbar, inspecionar e embalar são operações reais que ninguém pensa como operações.
Custeie uma peça, não um lote
Lance tudo por peça. Onde um custo for realmente por lote — setup, primeira peça, cobrança mínima do galvanizador — divida pelo tamanho do lote e **deixe escrito qual tamanho de lote você usou**.
As dez categorias, na ordem em que a peça anda
1. Material — material requisitado, não peso da peça
Pegue o peso ou o comprimento do material **requisitado do almoxarifado**, não o peso da peça pronta. Tudo que você arrancou na máquina foi comprado e pago.
O cavaco tem valor de revenda e não é zero — mas use o preço do ticket de balança do sucateiro, não o preço a que você comprou a barra. Subtrair a diferença duas vezes, uma como material reduzido e outra como recuperação, deixa a planilha bonita de um jeito simplesmente falso.
2. Tempo de máquina — a taxa hora-máquina
Horas-máquina por peça vezes a taxa **daquela** máquina. Um centro de cinco eixos e uma serra fita manual não compartilham taxa, e tirar a média entre elas esconde justamente as diferenças sobre as quais você agiria.
Inclua o setup, dividido pelo tamanho do lote. Uma corrida curta em que o setup domina é uma peça genuinamente mais cara, e a planilha deve dizer isso.
3. Mão de obra — o tempo do operador
Tempo atendido por peça. Se um operador atende várias máquinas, divida na proporção — é normal e deve aparecer como menos mão de obra por peça, que é exatamente por isso que as oficinas fazem.
Se puder, mantenha o tempo de inspeção e de rebarbação separado do tempo de corrida. Eles se comportam de forma diferente quando o volume muda, e juntá-los tira sua capacidade de ver qual está crescendo.
4. Ferramental — insertos e fresas se gastam por peça
Custo da ferramenta dividido pelo número de peças que ela produz antes da troca. É todo o cálculo, e não precisa de sistema de medição novo — o guia dedicado explica como tirar o número de registros que você já mantém.
5. Refugo — peças perdidas no caminho
Uma peça refugada na inspeção final consumiu tudo até ali, não só o material dela. Onde der, registre **em que operação** a perda aconteceu; onde não der, registre um total e diga que é um total.
6. Retrabalho — salva, com um custo
Tempo extra e ferramental extra para trazer uma peça de volta à tolerância. Se a sua oficina não retrabalha nada, lance **zero** em vez de deixar o campo vazio — zero significa que você considerou, vazio significa que ninguém sabe.
7. Terceirização — trabalho que sai da fábrica
Tratamento térmico, galvanoplastia, anodização, retífica, pintura. Use o preço do fornecedor pelo lote dividido pelas peças do lote, e inclua o **frete de ida e volta** — é pouco por peça e não é zero.
Se o fornecedor refuga peças e o contrato deixa isso com você, também entra aqui.
8. Embalagem
Caixas, divisórias, sacos, antioxidante, paletes. Conte o que uma peça de fato consome — uma caixa que leva muitas peças contribui com uma fração de caixa.
9. Frete — levar até o cliente
Custo de um embarque dividido pelas peças dele. Quando você embarca por conta do cliente e não custa nada, lance zero e anote por quê.
10. Custos indiretos de fábrica — a camada sobre tudo
Área, iluminação, supervisão, manutenção, consumíveis pequenos demais para rastrear um a um. Sobre a base que você ratear — horas-máquina é o usual numa oficina de usinagem — **use sempre a mesma base**, ou seus próprios custeios deixam de ser comparáveis entre si.
Dez coisas para conferir antes de publicar
- Material é o requisitado do almoxarifado, não o peso da peça pronta.
- A recuperação do cavaco usa o preço do sucateiro e não é subtraída duas vezes.
- A taxa de máquina é a daquela máquina, não uma média da oficina.
- O setup está incluído e o tamanho de lote está escrito.
- Ferramental é custo dividido por peças entre trocas, não um chute.
- O refugo reflete o valor perdido na operação onde se perdeu.
- O retrabalho é zero, não vazio, se você não retrabalha.
- A terceirização inclui frete de ida e volta.
- A energia aparece exatamente uma vez.
- Os indiretos usam a mesma base dos seus outros custeios.
Vale a pena manter essa lista mesmo que você nunca publique o custeio. Cada item é um jeito de o número sair mais baixo que a realidade, que é a direção que custa dinheiro a uma oficina na hora de orçar.
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