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As dez categorias de custo de produção, na ordem do processo

As dez categorias que o Costdown usa para calcular o custo de um produto — material, máquina, mão de obra, ferramental, refugo, retrabalho, terceirização, embalagem, logística, custos indiretos de fábrica — com fórmula e exemplo de cada uma.

Atualizado

O Costdown divide o custo de um produto em dez categorias, na ordem em que uma peça percorre de fato a fábrica. Este artigo explica o que é cada categoria, quando preenchê-la, como é calculada e - igualmente importante - o que NÃO entra nela.

Primeiro a fórmula inteira, depois as dez partes

Antes de ler as categorias uma a uma, olhe a soma final. Tudo o que vem abaixo são apenas dez parcelas de uma única soma:

Custo mensal = Material + Máquina + Mão de obra + Ferramental + Retrabalho + Terceirização + Embalagem + Logística + Custos indiretos de fábrica + Refugo

Custo por peça = Custo mensal / Volume mensal

O refugo fica no FIM dessa soma e não na ordem de produção, e isso é proposital: uma peça ruim perde tudo o que já foi colocado nela, então o sistema precisa somar as outras nove categorias antes de saber quanto vale uma peça ruim. Deixe o campo « custo por peça refugada » vazio e ele usa exatamente esse valor - as outras nove divididas pelo volume.

Se você já usou outra planilha de custeio, talvez esteja acostumado a EMBUTIR o refugo numa divisão pelo rendimento - custo total dividido por (1 - taxa de refugo). Os dois caminhos dão o MESMO número, porque somar r/(1-r) é exatamente igual a multiplicar por 1/(1-r). O Costdown separa isso numa linha visível em vez de escondê-lo dentro de uma divisão, para você ler quanto o refugo custa sem precisar fazer a conta ao contrário.

Para testar agora com os seus próprios números, sem cadastro: abrir a calculadora e preencher as categorias das quais você já tem valores.

Um exemplo percorrendo as dez categorias

O artigo inteiro usa UM único exemplo para você ver o número crescer: um suporte de chapa dobrada, 2.000 peças por mês, fábrica rodando 26 dias x 2 turnos x 8 horas com eficiência 0,85. Cada categoria abaixo soma a sua parte, e a tabela no fim junta tudo em um número só.

Os valores estão em uma unidade monetária e pertencem APENAS a este exemplo - não são referência de nenhum setor. Sua fábrica tem outro conjunto de números, e é esse que vale; este artigo só mostra como os números se encaixam.

1. Material (MATERIAL)

Matéria-prima comprada para fabricar o produto — incluindo retalhos, cavacos e aparas, porque você também pagou por eles.

Preencha quando o produto consome material. Deixe em branco se você apenas usina material fornecido pelo cliente e nunca paga por ele. Se o cliente fornece o material mas você arca com o custo de sucateá-lo, coloque isso em Sucata em vez disso.

Um tarugo de aço de 2,5 kg a 45.000/kg, rendimento de 95% (5% perdido em aparas e cavacos), 1.500 peças por mês.

Total material = Σ ( (Peso × Preço unitário ÷ Rendimento) × Volume )

Um rendimento abaixo de 1 AUMENTA o custo, porque é preciso comprar mais do que acaba no produto.

Não apenas metal. Use para grânulos plásticos, tecido, madeira, papel, produtos químicos, tinta, adesivo, fluido de corte, gás de solda, embalagem — qualquer coisa comprada que termine no produto ou seja consumida ao fabricá-lo.

Exemplo em andamento: 1,2 kg x 22.000 / 0,88 x 2.000 = 60.000.000

AQUI NÃO: caixas e sacos (categoria 8 - Embalagem), nem zincagem ou tratamento térmico comprados fora (categoria 7 - Terceirização). Os dois acompanham o produto, mas nenhum tem peso e rendimento para ser custeado como material.

2. Máquinas (MACHINE)

A parte do valor de uma máquina consumida por este produto. Uma máquina é comprada uma vez, mas usada por anos, então seu custo é distribuído no tempo e depois cobrado do produto.

Preencha quando o produto ocupa uma máquina. Deixe em branco para etapas puramente manuais sem equipamento. Máquinas totalmente depreciadas devem ser lançadas mesmo assim — ainda consomem energia, ainda precisam de manutenção e ainda ocupam capacidade que poderia rodar outro trabalho.

Um CNC de 500.000.000 em 10 anos com fator de custos indiretos de 1,2: a máquina 'desgasta' 500.000.000 × 1,2 ÷ (10 × 12) = 5.000.000 por mês. Uma peça que a ocupa 45 segundos × 2.000/mês paga sua parte.

Total máquina = Σ ( Custo da máquina por mês × Tempo de ciclo × Volume ÷ Tempo de trabalho efetivo )

Custo da máquina por mês = Preço da máquina × Custos indiretos ÷ (Vida útil em anos × 12) Se nenhum preço for informado, o campo 'custo por mês' é usado diretamente.

Não apenas máquinas-ferramenta. Use para moldes, dispositivos, robôs, transportadores, fornos, empilhadeiras, software com licença anual, até espaço de piso se quiser cobrar aluguel desta etapa.

Exemplo em andamento: 800.000.000 x 1,2 / (10 x 12) = 8.000.000; 30s x 2.000 / 1.272.960 -> ~377.000

AQUI NÃO: insertos, brocas, rebolos - tudo que se consome por PEÇA produzida pertence à categoria 4 (Ferramental). A máquina se consome por tempo, o ferramental por quantidade: dois denominadores diferentes, e misturá-los destrói a comparação.

3. Mão de obra (LABOR)

Salário das pessoas que dedicam tempo a este produto. Não é todo o salário mensal delas — apenas a parte do tempo que este produto realmente consome.

Preencha sempre que uma pessoa dedicar tempo: operar a máquina, montar, inspecionar, retirar cavacos, fazer setup. Deixe em branco se a etapa for totalmente automática e sem supervisão. Se uma pessoa cuida de três máquinas, preencha mesmo assim — a divisão do tempo é feita pelo tempo de ciclo e pelo volume.

Um operador que ganha 10.000.000/mês, 60 segundos por peça, 1.000 peças por mês. O sistema cobra apenas a parte referente a essas 1.000 peças, não o salário inteiro.

Total mão de obra = Σ ( Salário mensal × (Tempo de ciclo × Volume) ÷ Tempo de trabalho efetivo )

Tempo de trabalho efetivo = Dias trabalhados × Turnos × Horas por turno × 3600 × Eficiência

Não apenas operadores de máquina. Use para técnicos de setup, inspetores de qualidade, pessoal de manutenção, embaladores, até o tempo de um supervisor dedicado aos problemas desta etapa. Qualquer pessoa cujas horas sejam consumidas por este produto.

Exemplo em andamento: 12.000.000 x 30s x 2.000 / 1.272.960 -> ~566.000

AQUI NÃO: o tempo gasto retrabalhando peças com defeito - isso pertence à categoria 6 (Retrabalho). Separados, « custo de fazer » e « custo de refazer » continuam dois números legíveis; juntos, os dois somem.

4. Ferramental consumível (CONSUMABLE)

Ferramental que se desgasta por peça produzida. Diferente das máquinas, consumidas pelo tempo, o ferramental é consumido de acordo com quantas peças consegue cortar.

Preencha quando algo se desgasta e é substituído em um cronograma contável. Deixe em branco para ferramental que dura um ano e custa pouco. Se puder ser reafiado, informe o custo e a quantidade de reafiações — isso reduz bastante o custo por peça.

Um inserto de 1.200.000 que dura 300 peças. Se puder ser reafiado 3 vezes a 150.000 cada por mais 250 peças, a vida total fica 300 + 3×250 = 1.050.

Total ferramental = Σ ( (Preço novo + Custo de reafiação × Número de reafiações) ÷ Vida total × Volume )

Vida total = Vida quando novo + (Número de reafiações × Vida por reafiação)

Não apenas insertos de corte. Use para brocas, rebolos, varetas e bicos de solda, lixas, bicos, matrizes pequenas, lâminas de serra, escovas de carvão, filtros, luvas — qualquer coisa comprada que se desgaste por unidade fabricada.

Exemplo em andamento: 24.000.000 / 40.000 x 2.000 = 1.200.000

AQUI NÃO: porta-ferramentas, pinças e dispositivos que duram anos independentemente do volume - eles pertencem à categoria 2 (Máquina), porque não se consomem por peça.

5. Sucata (SCRAP)

Dinheiro perdido com produção defeituosa. O ponto-chave: para entregar 100 peças boas, é preciso fazer mais de 100, e o excedente é perda pura.

Preencha sempre que houver uma taxa de defeito real, por menor que seja. Deixe em branco se os defeitos são retrabalhados e vendidos — esse custo vai em Retrabalho, não aqui. Também deixe em branco se o estoque defeituoso é devolvido ao fornecedor para reembolso.

Taxa de defeito de 2%, 12.000 perdidos por peça ruim (material e mão de obra já gastos), são necessárias 1.000 peças boas. É preciso fazer cerca de 1.020 para entregar 1.000.

Total sucata = Σ ( Volume × ( Taxa de defeito ÷ (1 − Taxa de defeito) ) × Custo por defeito )

Usamos r/(1−r), não r: com taxa de defeito de 2%, 100 peças BOAS exigem fazer 102, não 100.

Não apenas quebras. Use para peças fora de tolerância, defeitos de superfície, estoque vencido, devoluções de clientes, peças de teste de setup, primeiros lotes descartados.

Exemplo em andamento: 2.000 x 2% / 98% x 43.911 (87.822.685 / 2.000) ~ 1.792.000

AQUI NÃO: peças retrabalhadas e vendidas mesmo assim - essa é a categoria 6 (Retrabalho). O refugo é JOGADO FORA e precisa ser refeito, por isso a fórmula multiplica; uma peça salva nunca é refeita.

6. Retrabalho

Peças feitas erradas mas RECUPERÁVEIS: retoque, resolda, repintura, reusinagem. Esforço extra, mas nenhuma peça de reposição é necessária.

Informe quando há uma etapa de retrabalho. É uma seção separada da Sucata porque as duas são matematicamente diferentes.

1.000 peças, 10% precisam de retoque, 5 minutos cada a 2.000/minuto → 100 × 10.000 = 1.000.000.

Sucata é DESCARTADA então uma reposição deve ser feita e a fórmula precisa majorar. Retrabalho é RECUPERADO então nada é substituído e apenas o esforço extra é cobrado. Misturá-los infla o custo — a uma taxa de 50% é o dobro.

Exemplo em andamento: 2.000 x 3% x 8.000 = 480.000

AQUI NÃO: peças descartadas de vez - essa é a categoria 5 (Refugo). Confundir as duas erra para MAIS, porque o refugo é multiplicado e o retrabalho não.

7. Processamento terceirizado

Etapas que você não faz internamente mas compra de outra oficina: tratamento térmico, zincagem ou cromagem, revestimento, balanceamento dinâmico, ensaio não destrutivo. Custeado como um preço unitário por peça multiplicado pelo volume.

Informe sempre que uma etapa é comprada fora. Antes tinha que ir em Material, mas não é um material — não tem peso nem rendimento, e colocá-lo lá distorce ambas as categorias nas estatísticas.

Tratamento térmico de um eixo a 12.000 por peça, 3.000 peças por mês → 36.000.000 por mês.

Cobre também usinagem terceirizada, impressão terceirizada, embalagem terceirizada e inspeção de terceiros.

Exemplo em andamento: 3.500 x 2.000 = 7.000.000

AQUI NÃO: o frete de ida e volta ao terceiro - frete pertence à categoria 9 (Logística). Este campo recebe apenas o que o terceiro cobra na nota dele.

8. Embalagem

Caixas, sacos, espuma protetora, etiquetas, paletes - tudo que sai da fábrica com o produto.

Informe quando a embalagem é material, ou quando a melhoria a toca (nova especificação de caixa, remoção de um forro, impressão direta de etiquetas).

Uma caixa de 12.000 que contém 20 peças → 600 por peça.

Uma seção separada em vez de parte de Material: a embalagem não tem peso nem rendimento de corte, e 'quanto do custo é embalagem' é uma pergunta real no chão de fábrica. Mesmo raciocínio que separou antes o Processamento terceirizado.

Exemplo em andamento: 2.000 / 25 = 80 x 15.000 = 1.200.000

AQUI NÃO: frete (categoria 9 - Logística). E também não empurre a embalagem de volta para a categoria 1 (Material) - embalagem não tem peso nem rendimento, misturar erra duas categorias ao mesmo tempo.

9. Logística

Frete de entrada de materiais, entrega de saída, e transferências internas entre setores.

Informe quando a melhoria toca o número de viagens ou a carga por viagem - consolidar remessas, reduzir o volume de embalagem, mudar para um fornecedor mais próximo.

Uma viagem de caminhão de 5.000.000 levando 5.000 peças → 1.000 por peça. Dobrar a carga por viagem reduz pela metade, para 500.

Custeado por VIAGEM e depois amortizado, não por peça. Por isso consolidar viagens reduz o custo sem renegociar a tarifa de frete.

Exemplo em andamento: 2.000 / 1.000 = 2 x 4.000.000 = 8.000.000

AQUI NÃO: o custo de caixas, paletes e filme stretch - isso é a categoria 8 (Embalagem). Este campo conta VIAGENS e sempre arredonda para CIMA, porque não existe meio caminhão.

10. Custos indiretos de fábrica (OVERHEAD)

Custo de instalação não vinculado a uma única máquina: depreciação do prédio, iluminação, ar comprimido da fábrica, salários de supervisão e engenharia, o almoxarifado, manutenção geral, limpeza industrial.

Preencha isso quando você quiser o custo COMPLETO, não apenas o custo direto. Deixá-lo em branco ainda dá um número correto — mas um número de custo direto, sem a parte compartilhada. Fábricas tipicamente carregam 15-25% de custo dessa forma; sem isso o número ainda parece razoável e fica exatamente essa parcela abaixo.

A contabilidade aloca 40.000.000/mês de custos indiretos de fábrica a este código; 10.000 peças por mês -> 4.000 por peça.

Total de custos indiretos = Soma dos valores alocados por mês. Não multiplicado pelo volume: isto já é um número do mês inteiro.

Este é o campo de resgate para operações manuais. O campo 'Custos indiretos por hora-máquina' em Máquina só pode alocar por tempo de funcionamento de máquina, então uma operação manual não carrega custo indireto nenhum sem este campo.

Exemplo em andamento: 9.000.000

AQUI NÃO: o que você já lançou no campo « custo de fábrica por hora-máquina » da categoria 2 (Máquina). Lançar nos dois lugares conta duas vezes, e nenhum aviso pega isso - o número sai do mesmo jeito, só que errado.

Acumulando: o exemplo nas dez categorias

Aqui está o exemplo completo na ordem em que o sistema soma. A última coluna mostra o número crescendo, então a categoria que come mais dinheiro se revela sem precisar de gráfico:

CategoriaNúmeros do exemploCusto por mêsAcumulado
1. Material (MATERIAL)1,2 kg x 22.000 / 0,88 x 2.000 = 60.000.00060.000.000~60.000.000
2. Máquinas (MACHINE)800.000.000 x 1,2 / (10 x 12) = 8.000.000; 30s x 2.000 / 1.272.960 -> ~377.000~377.000~60.377.000
3. Mão de obra (LABOR)12.000.000 x 30s x 2.000 / 1.272.960 -> ~566.000~566.000~60.943.000
4. Ferramental consumível (CONSUMABLE)24.000.000 / 40.000 x 2.000 = 1.200.0001.200.000~62.143.000
6. Retrabalho2.000 x 3% x 8.000 = 480.000480.000~62.623.000
7. Processamento terceirizado3.500 x 2.000 = 7.000.0007.000.000~69.623.000
8. Embalagem2.000 / 25 = 80 x 15.000 = 1.200.0001.200.000~70.823.000
9. Logística2.000 / 1.000 = 2 x 4.000.000 = 8.000.0008.000.000~78.823.000
10. Custos indiretos de fábrica (OVERHEAD)9.000.0009.000.000~87.823.000
5. Refugo (calculado por último)2.000 x 2% / 98% x 43.911 (87.822.685 / 2.000) ~ 1.792.000~1.792.000~89.615.000

Total ~89.615.000 por mês para 2.000 peças, ou seja cerca de 44.800 por peça.

Repare que o Refugo foi empurrado para o fim da tabela mesmo sendo a categoria 5. É exatamente o ponto da seção da fórmula: uma peça ruim vale tudo o que já foi colocado nela, então as outras nove precisam ser somadas primeiro. Neste exemplo, 2% de refugo comem ~1.792.000 - quase o dobro de Máquina e Mão de obra somadas.

Depois de preencher as dez categorias

Nem todo caso envolve as dez categorias — uma melhoria típica costuma afetar apenas uma ou duas. Deixe em branco o que não se aplica.

Somar as categorias relevantes dá o custo de uma peça. Esse número sozinho não diz se a melhoria realmente economiza dinheiro de verdade — veja o artigo sobre o gargalo abaixo.

Além dessas dez, há seis campos menores muito fáceis de deixar em branco sem nenhum aviso, e cinco deles fazem o custo parecer mais barato do que realmente é — o segundo artigo abaixo lista todos os seis.

Para ter o seu próprio número agora: abrir a calculadora, escolha as categorias das quais você tem valores e digite - sem cadastro, e nada é salvo se você não quiser.

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